Sobre a história da CEUC

A história da Casa da Estudante Universitária de Curitiba (CEUC) está entrelaçada, desde a sua formação, com o movimento estudantil. Ela surgiu graças ao trabalho de um grupo de jovens idealistas que formavam o "Movimento Pró-Construção da Casa da Estudante Universitária de Curitiba". Em sua formação estava Amélia Moro, que além de líder do grupo, era Diretora do Departamento Feminino do Diretório Acadêmico Nilo Cairo (DANC, órgão de representação dos acadêmicos de Medicina da UFPR); as estudantes Maria Falce de Macedo, Dalila de Castro Lacerda e Ivone Portela Natal também integravam o movimento, além de contarem com o apoio da União Paranaense de Estudantes.

Fundada em 21 de agosto de 1954, com sede na Rua José Loureiro, a casa comportava 28 moradoras. Depois, com o aumento do ingresso de mulheres na universidade pública, a CEUC foi transferida para a Rua Mariano Torres, onde poderia comportar 50 estudantes. Foi só na década de 60, com a instalação do prédio da Reitoria da UFPR, é que foi incluída, a pedido do então reitor, a construção do edifício da Casa da Estudante, concretizando o real desejo que aquele grupo de idealistas tinha na década de 50. Como continuidade do trabalho das pioneiras, a Casa foi finalmente instalada na Rua General Carneiro, endereço atual, comportando mais de 130 moradoras.

Uma das maiores casas do gênero da América do Sul, a CEUC se tornou ao longo dos anos um símbolo de resistência feminina e permanência estudantil. Um título consequente não só dos problemas da vida acadêmica, mas também dos fatos históricos que marcaram a política brasileira. Especialmente dois marcaram a história da Casa: o Golpe de 64 e os constantes cortes orçamentários na pasta da educação superior.

Em outubro de 1968, Palmira Amâncio da Silva, conhecida como “Palmirona”, tinha 23 anos quando foi presa durante um encontro da União Nacional de Estudantes (UNE), no interior de São Paulo. Era ceuquiana, estudante de Economia, comunista e integrante da União Paranaense dos Estudantes (UPE). Outras e outros estudantes, além de moradoras e moradores de outras casas estudantis de Curitiba também foram presas e presos durante os anos de chumbo. Quando Palmira conseguiu sair da prisão e retornou à Curitiba, uma nova ordem de prisão foi expedida. Em uma noite, vestida de homem, ela consegue fugir dos militares que estavam de tocaia. Beijou uma das moradoras, para firmar o disfarce, e entrou em uma Kombi branca. Fugiu da ditadura e nunca mais foi vista na CEUC.

Desde o início, a Casa tinha como objetivo acolher mulheres com vulnerabilidade socioeconômica. A análise de renda de inscritas no concurso para novas moradoras ocorre pelo menos desde a década de 70. Ao longo dos anos, acompanhando a ampliação de oportunidades para que mulheres ingressassem no ensino superior, houve um aumento considerável de procura da CEUC por essas mulheres. Em via contrária, o cuidado com a estrutura do prédio cedido pela Universidade diminuiu entre as gestões da Reitoria. Em parte pelos cortes orçamentários na pasta da educação superior brasileira e crescente desmonte da ciência, em parte pela negligência dos órgãos competentes pela supervisão de infraestrutura da UFPR.

O maior sentido de existência da Casa é a possibilidade de prestar permanência estudantil na prática para mulheres social e economicamente fragilizadas, portanto é essencial oferecer um espaço com estrutura regular. O bem-estar do dia a dia está ligado também a uma boa estrutura, com condições que permitam dias e noites sem preocupações - como as relacionadas aos riscos de incêndios, vazamentos e infiltrações.

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